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Latin American Agribusiness Development Corporation S.A.

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Local Knowledge Focus Flexibility

Carta aos Acionistas - 2016

Temos orgulho de, mais uma vez, apresentar um relatório favorável sobre o ano fiscal de 2015-16 da LAAD, no qual a persistência de preços baixos para as commodities, clima desfavorável, e mudanças políticas em muitos dos países em que operamos, foram factores predominantes no ano marcaram o ano. Apesar disso, nossa empresa obteve resultados significativos, distribuindo USD 236 milhões para 266 projetos em 15 países, gerando mais de 9.600 empregos e mais de USD 200 milhões em divisas estrangeiras para a região.

No artigo de junho de 2016, “O Futuro da Agricultura”, a revista The Economist destacou que entre hoje e 2050 a população mundial pode crescer e passar de 7,3 bilhões para 9,7 bilhões. Com relação a isso, em outubro de 2009, um fórum de peritos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura previu que este crescimento poderia demandar um aumento de 70% na produção agrícola que muito forçosamente seria oriundo do aumento nos médios de produção, visto que a maioria das terras aráveis já está em uso. Essa população não apenas necessitará de alimentos, como será mais exigente que os consumidores atuais no tocante a qualidade, segurança e impacto ambiental de seus alimentos. A revista The Economist pergunta: “Como a população mundial poderá ser alimentada no futuro sem impor desgastes irreparáveis a nossos solos e oceanos?” O artigo responde que, para lograr isso, a agricultura deverá se tornar mais semelhante à manufatura, a fim de minimizar os efeitos dos “caprichos da natureza” e garantir resultados positivos. O que, por sua vez, exige mais desenvolvimento e aplicação de tecnologia na irrigação, genética, e gestão de dados. A inovação, essencialmente, está se tornando cada vez mais necessária para o sucesso dos agricultores.

Sendo uma financiadora agrícola, a LAAD tem sido testemunha, em primeira-mão, do desenvolvimento desta tendência nos últimos anos.

Vimos, também, que durante 2016, o agronegócio na América Latina enfrentou desafios, com problemas climáticos que afetaram o Brasil, Colômbia e a América Central, principalmente. Para agravar a situação, várias commodities importantes, como a soja e o milho, sofreram grandes quedas de preços que afetaram os produtores no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Esta série de fatores externos forçaram os produtores a fortalecer suas unidades produtivas por meio de consolidação e integração vertical, tendências que devem aumentar no futuro quando a eficácia e preços de produção mais baixos se tornarem necessários para o sucesso. Além disso, a LAAD tem notado uma tendência de inovação entre os produtores, através de variedade de plantas aperfeiçoadas, e mesmo a diversificação com “novas” frutas cuja demanda aumentou. Os agricultores também continuam a investir em melhor irrigação e sistemas de atenuação climática e adoção de novas tecnologias em infraestrutura de estufas, sistemas de irrigação inteligentes, e agricultura de precisão. Eles também estão investindo em novas variedades de frutas e legumes que estão sendo desenvolvidas a um ritmo mais acelerado do que no passado. Essas novas tecnologias estão ajudando os agricultores a produzir mais e melhores culturas, que as novas variedades lhes permitem penetrar mercados chave como o Japão, Coreia, China, Estados Unidos e a União Europeia. A LAAD fez parceria com clientes para desenvolver vários projetos inovadores por toda a América Latina, e alguns dos casos mais notáveis são objeto de destaque nos próximos parágrafos.

No Chile, a LAAD concedeu um empréstimo de USD 1,8 milhão para a Frutícola Montegiallo para estabelecer uma cultura de kiwi Jintao no Vale Curico, a 200 km ao sul de Santiago. O projeto, liderado por Christian Abud, um renomeado produtor de kiwi no Chile, e os resultados da cultura foram publicados e compartilhados com os produtores locais de kiwi. O Jintao é uma variedade de kiwi com polpa amarelada e em grande demanda nos mercados asiáticos. Assim, o projeto Montegiallo é o pioneiro neste esforço de renovar os antigos campos de kiwi com polpa verde com as frutas de melhor preço, das variedades amarelas. O projeto foi realizado com tecnologia de ponta, que incluiu um sistema de teto para atenuar problemas climáticos e doenças, garantindo, dessa forma, uma maior produção de frutos. A tecnologia primária para o projeto foi importada da Itália, aperfeiçoada no Chile, e está revitalizando o setor frutífero daquele país. Com base nos resultados favoráveis obtidos, este projeto já teve grande impacto no setor.

Na República Dominicana, a LAAD concedeu um empréstimo de USD 3,5 milhões para a Dominican Tropical Fruits (DOT Fruits), SRL para finalizar a compra de um mangueiral de 258 hectares. A DOT Fruits é uma empresa dominicana estabelecida em 2006 e, com esta aquisição, ela se posicionou como a maior exportadora de mangas de seu país, acumulando quase 80% do valor total das exportações. Além de sua própria produção, a DOT Fruits exporta também frutas compradas a mais de 40 outros produtores locais. Sob este sistema, a DOT Fruits gerou mais de 200 empregos diretos e quase 500 empregos indiretos, ajudando de forma significativa a região sul da República Dominicana.

A Agricolombia é uma empresa colombiana de óleo de palma, localizada no município de San Pablo, 300 km ao nordeste de Bogotá. A empresa recebeu um empréstimo de capital de giro da LAAD no valor de USD 2,milhões. San Pablo era uma região perigosa nos anos noventa, com grande insegurança e violência. A Agricolombia atua na região há dez anos e é atualmente proprietária de 1.255 hectares. A empresa gera mais de 160 empregos permanentes, sendo que a maioria de seus funcionários é contratada em comunidades vulneráveis que antes possuíam poucas oportunidades de emprego. Graças aos investimentos e operações de empresas como a Agricolombia, o município de San Pablo é hoje muito dinâmico e enfocado na sustentabilidade econômica e desenvolvimento social de suas comunidades rurais. A indústria de produção de óleo de palma gerou empregos permanentes, atraiu divisas estrangeiras através de suas exportações e beneficia também o meio ambiente através da preservação da vegetação rasteira e proteção de mananciais.

Na Costa Rica, LAAD deu o apoio à Agroindustrial Las Mellizas, S.A., produtora e exportadora de café de quarta geração localizada em Sabalito de Coto Brus, Puntarenas, perto da fronteira com o Panamá. A principal atividade econômica da região é a agricultura, com condições ideais para o cultivo de grãos de café estritamente duros (Grupo I). O turismo ainda é mínimo na região e, por isso, a fazenda de café de 690 hectares da Agroindustrial Las Mellizas é um dos maiores empregadores das comunidades locais. Com o apoio da LAAD, a empresa comprou um seletor óptico de grãos, de ponta, com espectro total de cores, que inclui um software avançado de processamento de imagens digitais e funções automáticas de ajuste de imagem. Isso permite que Las Mellizas melhore não apenas seu programa de garantia de qualidade, como também reduz o volume de rejeições na faixa de 10% a 15%.

A LAAD Mexico continua a apoiar a expansão do setor de frutas vermelhas. A tendência de um estilo de vida saudável nos mercados globais está aumentando a demanda por vários tipos de frutas vermelhas (mirtilo, framboesa, morango e amora), reconhecidas por seus benefícios antioxidantes. De 2009 a 2015, a área de produção de frutas vermelhas daquele país quase se duplicou, passando de 22.000 a 42.000 hectares. O impacto social deste crescimento é muito significativo em termos de geração de emprego, o que ajuda a reduzir a migração rural para áreas urbanas. A LAAD financiou uma variedade de projetos de frutas vermelhas, desde pre-projetos ainda em resacunhos,até investimentos e expansão de plantações. Até mesmo clientes que tiveram êxito na produção de outras frutas e/ ou legumes estão entrando no negócio de frutas vermelhas buscando a diversificação. Este é o caso da Hassiba, S.A. de C.V., sob a gestão de Erick Ibañez. Ele é um grande produtor de abacates que recebeu um empréstimo de USD 2,milhões para desenvolver uma plantação de mirtilo de 20 hectares. Outro exemplo é o Grupo Industrial Anguiano, S.A. de C.V., gerenciado por Oscar Anguiano e seus filhos. Eles possuem sete hectares de estufas para produção de pimentões e, com o apoio da LAAD, plantaram cinco hectares de framboesa e 25 hectares de mirtilo.

Ao longo dos anos, a LAAD tem encontrado dois grupos de agricultores: aqueles com uma visão negativa do futuro que rejeitam inovações e confiam nos métodos tradicionais do passado, e aqueles que vêm um futuro brilhante para a agricultura, tentando inovar e incorporar o máximo possível de tecnologias novas. O portfólio da LAAD é composto de agricultores com visão de futuro e estimulam o progresso da agricultura na América Latina. Na nossa empresa, combinamos as duas visões, porem termos fortes raízes em tradições e culturas, tentamos tambem todos os anos, implementar novas tecnologias que nos permitam dessenvolver e ter um impacto positivo ainda maior nos projetos que financiamos. Estes esforços estão refletidos nos resultados obtidos pela LAAD em 2016.

Apesar das dificuldades externas já mencionadas, a LAAD superou os resultados operacionais e financeiros de 2015, marcando recordes em vários indicadores. Os desembolsos de 2016 chegaram a USD 236,1 milhões, um aumento de 22% em relação a 2015. Esse financiamiento foi outorgado a 266 projetos em 15 países e levaram nosso portfólio de agronegócio para USD 667 milhões, representando um aumento de 15,6% em relação a 2015 e um recorde absoluto. Neste ritmo, a LAAD atingirá a meta de seu portfólio de USD 1,bilhão até 2020.

Com desembolsos de USD 36,3 milhões, a Nicarágua passou a ser um dos maiores mercados da LAAD. Os 37 empréstimos feitos naquele país envolveram café, gado e amendoim. O Brasil pela primeira vez desde o início de nossas atividades naquele país, caiu para o segundo lugar no mercado de desembolsos da LAAD, com USD 32,8 milhões em 29 empréstimos. O Equador continuou a contribuir de forma significativa para o crescimento do portfólio da LAAD, com USD 28,3 milhões concedidos a 31 clientes. Após vários anos de crescimento relativamente lento, o Chile se tornou o quarto maior mercado da LAAD em 2016, com USD 20,9 milhões de empréstimos para 32 projetos. A LAAD fez empréstimos de quase $ 19,8 milhões na Costa Rica e USD 18,4 milhões no México. Os seguintes países Peru (USD 17,1 milhões), Guatemala (USD 17 milhões), Colômbia (USD 13,2 milhões), República Dominicana (USD 12,4 milhões) e Paraguai (USD 11,9 milhões), tambem contribuiram com nosso nosso financiamento cumulativo, ao longo de 46 anos, aumentou para USD 2,08 bilhões, concedidos a 4.416 projetos de agronegócio, em 28 países.

Mesmo sob condições “normais” de mercado, os resultados operacionais da LAAD em 2016 seriam considerados excelentes. Considerando as dificuldades daquele ano, nossos resultados merecem ser qualificados de espetaculares. A renda líquida da LAAD, em 2016, chegou a USD 19,5 milhões, um aumento de 11% em relação a 2015. Este lucro rendeu 12,8% em retornos sobre o patrimônio líquido, comparado com 12,9% obtidos no ano anterior.

A alavancagem financeira da LAAD (3.2:1) continua a ser extremamente baixa para o setor. As baixas do ano chegaram a 0,38% do portfólio de agronegócio, um pouco acima do 0,35% em 2015, mas ainda assim, uma indicação da qualidade do nosso portfólio de empréstimo. Ao longo dos anos, o histórico de baixas da LAAD tem provado que é possível financiar o agronegócio, desde que se entenda completamente o negócio.

A gerência da LAAD, ao analisar novos pedidos de empréstimos, continua mantem principalmente o criterio do impacto do desenvolvimento. Porém, consideramos a lucratividade como a mais pragmática medida de eficiência operacional. Esta medida tem melhorado continuamente e, em 2016, pagou dividendos de USD 9,190 por ação, um aumento de 10,5% em relação ao ano anterior e um recorde de alta. Estes dividendos representaram 25% de nossa receita líquida.

Nós achamos que nossos clientes merecem um reconhecimento especial pelo que vivenciaram no ano passado. Seu trabalho árduo, positividade e tenacidade são uma inspiração para todos nós na LAAD, e é algo que tentamos imitar. Tem sido uma honra para nós estar a seu lado enfrentando os desafios deste ano. Da mesma forma, o conselho de administração da LAAD nos deu o apoio e orientação necessários para concentrar-nos nestes objetivos e atingir os excelentes resultados obtidos. O esforço em equipe é apregoado em muitas empresas, mas sabemos que na LAAD não ficamos atrás de ninguém neste quesito. O compromisso e a dedicação de nossos funcionários fazem da LAAD não só uma empresa altamente eficiente, mas também um segundo lar para aqueles que aqui trabalham.

Embora o FMI tenha recentemente rebaixado a previsão de crescimento da América Latina para 1,2% em 2017, estamos confiantes de que a LAAD e seus clientes darão continuidade a seu sucesso em 2017, fazendo a nossa parte para aumentar a produção agropecuária da América Latina e contribuindo para alimentar a crescente população mundial.

Finalmente, um fato significantivo foi atingido ao final de 2016 quando a LAAD levou a cabo a transição do cargo de Director Executivo do Sr. Benjamin Fernandez III para o Sr. Gustavo Martinez, quem iniciou sua carreira na LAAD em 1998 como analista financeiro, sendo promovido, mais tarde, para vice-presidente regional, e em 2009 para diretor financeiro. Esta sucessão foi implementado após um processo de seleção e treinamento de quatro anos, no qual os membros do conselho de administração e da Gerência Executiva da LAAD participaram ativamente. Ao mesmo tempo, o Sr. Rafael Cestti, que foi promovido para o cargo de diretor financeiro, junto com o Sr. Oscar Luzuriaga são os novos membros da diretoria executiva da LAAD. Durante esta transição a LAAD nunca perdeu sua perspectiva: crescimento constante e grandes realizações no futuro, na qual todos os participantes deram grandes mostras de ética e profissionalismo.

Ben Fernandez III

Benjamín Fernández III
President